12 de novembro de 2009

Gentileza.

Trabalho numa área quase selvagem da minha cidade. Tem árvores e plantas de tudo quanto é tipo pelas redondezas, é ótimo, lindo. Hoje a caminho de lá me dei com uma jaqueira enorme e cheia de jacas maduras, aquele cheiro delicioso impregnou minhas narinas. Engraçado é que aquele Pé de Jaca (?) esteve lá o tempo todo e depois de 02 anos passando pela mesma estrada 6 dias por semana é que eu a vi, gente interesseira é foda. *risos* Adoro jaca. Tratei de ir pedindo para o chefe de manutenção do Hotel (em que trabalho) pegar o facão e descer comigo (porque o Hotel fica numa planície um pouco mais elevada) até a jaqueira para pegar umas boas jacas para nossa sobremesa, e fomos. Deixe - me explicar uma coisa antes de começar a contar a coisa que quero (ficou confuso heim), é que se não for assim, não vão entender (como se alguém me lesse). Para acessar este Hotel, passamos mesmo por uma “área selvagem” da cidade, é um daqueles Resorts á beira-mar que só encontra quem chega de barco ou quem tem um mapa. A estrada é asfaltada sim, mas deve ter no máximo 03m de largura e só há uns 3 postes de luz de 500m/500m na rua. Do ponto final do único ônibus que circula no bairro ao portão do Hotel são quase 1kg, que temos que ir à pé. E nesse caminho de um lado há um terrenão baldio que se a gente entrar mais um pouco dá em praias, e no outro lado só há morros. O Hotel fica aí no meio. Resumindo, é uma estrada estreita, cercada por morro, mato e mar, onde fica os principais hotéis e pousadas da cidade. Voltando à jaqueira, que fica numa dessas partes “baixas” da tal área, senhor Lourival e eu pegamos 05 jacas enormes e pesadas, mas e agora, como iríamos levá-las , já que fomos à pé até à árvore e estávamos há uns 600m do Hotel? Bom, eu fiquei lá com as frutas e ele subiu pra pegar o carro, nada mais lógico. Cheguei no ponto em que eu queria. Estava muito quente, calor daqueles dias nublados, sem vento, abafados, escuros, em que a gente sabe que vem chuva, sabem? O calor estava insuportável, eu estava seca, suada, irritadinha e sem celular na beira de uma estrada semi-deserta com 05 jacas enormes esperando a minha carona. Conseguiram visualizar? *risos* Daí nesse tempo, enquanto eu xingava em silêncio todos os deuses pelo calor que estava, passou um senhor magrelo, barbudo, estranho, para mim era um mendigo, sujo, arrastando uma sacola e uns papelões. Enquanto ele estava longe eu não dei importância, mas na medida e que ele foi se aproximando fique tensa. Serei assaltada – pensei. É o natural, não é? Não me condenem. Na verdade não pensei nada disso até reparar que o senhor vinha na minha direção, sabem? Ele fixou o olhar em mim e venho arrastando suas coisas certo ao meu encontro, tudo bem que a rua não é muito larga mas ele fixou em mim e veio. Pensei – bom, não tenho nada aqui comigo, se ele tentar algo leva as jacas. Vergonha. O senhor se chama Pedro e é morador ali da redondeza (confesso que não sabia que há casa por ali) e estava indo aos Hotéis para pegar no lixo o que pudesse para reclicar. Disse que já meu viu passando por lá algumas vezes e decidiu parar para perguntar se eu não queria um pouco de água – da garrafa estupidamente gelada que ele desenrolou de um pano e que vieram de dentro do tal saco – e para me atentar á não ficar sozinha ali por muito tempo que porque era um lugar perigoso, já que é deserto e muitos carros com turistas passam ali devido os Hotel que tem na região. Acabada a conversa, ele seguiu seu caminho e eu fique com cara de tacho lá, esperando o senhor Lourival vir me buscar. Gente, que vergonha que eu fiquei. Só porque o senhor aparentava ser um mendigo – porque não era - significava que era marginal? Foi de uma educação que confesso mais uma vez muito envergonhada, jamais teria agido com 1/3 da gentileza daquele senhor. Me senti tão mau que resolvi postar na internet o ocorrido para desabafar *risos* E dizer que para contar coisas assim vale à pena até ser tachada de fresca e afirmar – graças aos deuses – que ainda há gentileza no mundo.

27 de outubro de 2009

Y-Control.

Engraçado que, durante a nossa infância, temos a ilusão de que tudo vai dar certo e nossas vidas vão ser absolutamente perfeitas quando crescermos. Daí a gente cresce e o quê mais queremos é voltar a ser criança. Era tudo mais fácil, não era? Voltar da escola e se juntar com a vizinha pra brincar de gente grande. Eu sempre apelidava com um nome fake meloso como Bianca, tinha uma Ferrari vermelha e os cabelos louros cortados em Chanel. Ou era professora de Português e tinha 3 filhas lindas para as quais eu dava aula. Mais tarde me dei conta de que ser uma pati loura e uma professora não estava nos meus planos de vida, mas era divertido. A questão não é o que eu queria ser e sou ou não sou, a questão é não saber o que querer. A vida está boa, estou com saúde, poderia ser pior. E melhor, também poderia estar, mas para qual lado? Às vezes eu só quero dormir e dormir e dormir e não pensar. O pior ladrão não é o que rouba e não consegue carregar? O pior tipo de gente é a que tem tudo na mão e não sabe usar. Pior, pior, por!!
Não querer mais usar.



19 de outubro de 2009

Vacuo.

Todo final de ano a gente fala que o ano passou rápido. Todo ano falamos a mesma coisa, e todo ano sempre temos a impressão de que o ano passou mais rápido do que o anterior e assim uma sucessão de "anos-flashes" passam despercebidos. Muito barulho, muito trabalho, muita matéria pra estudar, e uma bela tarde de sábado recebemos a notícia de que já devemos adiantar uma hora em nossos relógios, o verão está chegando... E mais um ano se passou. Eu, particularmente, não gosto dessa filosofia de viver em função do "ano seguinte". A gente não pode mudar de curso - só ano que vem. Não podemos mudar de setor no trabalho - só ano que vem. Etc etc etc. Hora, a vida não é agora? Mas gosto da parte "filosófica" dessa coisa de final de ano, fica uma esperança no ar, não fica? posso mudar de curso ano que vem, posso pedir demissão ano que vem, posso ficar mais bonita, malhar e virar a gostosa da Lady Gaga ano que vem, é como se o mundo fosse mudar e a gente fosse levantar dia 1 º de Janeiro outra pessoa. Sei que está cedo para começar a pensar no Reveillon, no ano que vem, é que eu sempre começo por essa época do ano. E não sei se devo me preocupar, ficar feliz ou triste, de repente tive um insight curioso, ontem, conversando com uma prima muito querida e alegre: não estou feliz, não estou triste. Não quero nada para o ano que vem. Sabe? Querer eu quero, só não sei o quê. E se eu não conseguir essa coisa que eu quero e ainda não sei o que é, tanto faz. Me senti totalmente vazia, sozinha no mundo, e dessa vez foi sem o coral da igreja. O barulho do silêncio, sabem aquele zumbido agudo que sentimos no ouvido quando está muito quieto? Era domingo à tarde, pessoas na sala bebendo cerveja e assistindo futebol, amigos e vizinhos na varanda conversando, som alto, e foi a unica coisa que eu consegui escutar: o barulho do silêncio. Será que ano que vem eu vou conseguir pensar em algo melhor pra minha vida? Ou melhor, será que eu quero vida ano que vem? Pior, será que eu estou vivendo?



26 de setembro de 2009

Coisa estranha.

Já tiveram a sensação de estarem sozinhos no mundo? sério, sozinhos mesmo, sem nem uma barata no ralo do banheiro pra contar história? o sozinho físico, não o de compreensão, como se o que respira na face da terra tivesse sumido e só restasse você e os objetos? Vou contar uma coisinha que sempre acontece comigo, quase um desabafo, é um desses momentos da vida que com a correria a gente não dá muita importância, só que quando a gente pára pra pensar é muito louco. Minha casa fica há umas 6 casas de uma Igreja Evangélica, dessas enormes que ocupam metade de um quarteirão. Não venho de uma família muito religiosa,e a questão aqui também não é discutir religião. Vamos lá, a tal Igreja é daquelas que dá aulas de instrumentos, aula de Inglês para crianças carentes, acho bacana, o meu problema com ela é nas aulas do coro. Três vezes por semana, às 19h, hora em que geralmente estou sozinha em casa me arrumando para ir para a aula, o coral da Igreja ensaia. E o coro é alto, altíssimo, talvez pelal localização da sala em que ensaiam, não sei, só sei que da minha casa dá para ouví-los como se estivessem cantando no meu jardim. Gente, meu mundo pára. É morbido, é estranho, ouço o coro cantando e não ouço mais nada. Me dá um arrepio, não ouço o telefone tocar, não ouço as buzinas do carro, não vejo se está chovendo, fico perturbada mesmo. O som é lindo, me trava, eu perco a noção. Não é a questão musical, não sei explicar o porquê (nunca sei) e até acho que não tem um. Me sinto sozinha no mundo, é como disse no início, como se todas as pessoas/animais tivessem evaporado e só restasse eu e os objetos no mundo, é quase enlouquecedor. Já sentiram isso? Me sinto no apocalipse, sei lá, vendo por outros olhos é como se eu tivesse tomado um ácido, entro em transe. Me imagino dentro de uma caixa de papelão assustada, andando de um lado para o outro, ouvido os anjos cantando, anjos esses naquele estilo barroco, rechonchudos e com cachos, face rosa, rindo da minha cara e me deixando alí sozinha no Inferno, eu fico assim, até dói. Dá vontadede chorar, não consigo controlar a angústia. Imediatamente ligo para alguém ou entro no msn só pra me certificar que tem mais gente aqui do que eu. Acho que já ví um episódio desse com Os Simpsons, o Homer tinha pensado que o mundo tinha evaporado com a explosãoda bomba nuclear, ele começou a comer de tudo e quando olha pro lado a cidade tinha se transformado num exército de zumbís comedores de cérebro auhahauauahhaahuhuah. Pronto, desabafei. A coisa é doida assim mesmo, utimamente às 19h não tenho vindo em casa, e quando estou saio, é sério. Aquele coral me perturba mesmo. Será que o Inferno é esse desespero todo? se sentir vazio, sozinho, a solidão é desesperadora, é horrível, sei lá. Me sinto mau. Acho que vou conversar com a minha mãe, temos que nos mudar, o canto dos anjos me perturba. Será que sou endiabrada? Essa vida é muito doida mesmo, muito, a gente reparar um pouco , pensa e percebe que acontecem coisas tão babacas e ao mesmo tempo tão reais que assusta... parei de reparar, vou pôr uns fones nos ouvidos e seguir. Ou procurar um psicólogo.

20 de setembro de 2009

Brincadeira de Criança.